Pesquisa: 20% dos eleitores religiosos dizem receber orientações nas igrejas sobre voto


Culto em um templo da Igreja Universal
Culto em um templo da Igreja Universal

Dados da pesquisa do instituto Datafolha divulgados nesta terça-feira, 28, pelo jornal “Folha de S. Paulo” apontam que cerca de 20% dos eleitores com alguma religião que frequentam locais de culto dizem receber instruções sobre como votar, recomendações para escolher candidatos religiosos e orientações sobre como agir em relação à política.

Segundo o levantamento, as declarações que visam guiar os eleitores são mais comuns entre evangélicos que católicos, mas a maioria dos entrevistados, próximo a 80% em ambas as religiões, relatam não haver tentativa de interferência política.

A parcela dos eleitores que disseram seguir de forma completa ou parcial as orientações de líderes religiosos também é maior entre evangélicos. De acordo com a mesma pesquisa Datafolha, o presidente Jair Bolsonaro (PL) tem vantagem nesse segmento: ele tem 40% das intenções de votos, enquanto o ex-presidente Lula (PT) tem 35%.

Entre os 20% que dizem receber orientações em templos de como votar na eleição, 6% dizem segui-las integralmente (9% entre evangélicos e 6% entre católicos) e 8% dizem obedecer em parte (12% entre evangélicos e 6% entre católicos). Outros 6% dizem ignorar as orientações (7% entre evangélicos e 6% entre católicos).

A tendência de evangélicos ouvirem mais os pastores também é observada nas outras duas perguntas feitas pelo Datafolha. Apesar disso, a parcela de pessoas nesse segmento que diz seguir parcialmente as orientações de pastores é maior que a que diz seguir completamente.

A presença de igrejas que orientam os fiéis no campo político de alguma forma é maior entre eleitores com menor escolaridade (26%, em comparação com a média geral). Entre eles, 11% afirmam seguir completamente as instruções, 8% parcialmente e 7% não seguem.

Entre eleitores de maior escolaridade, o número de entrevistados que diz receber instruções no campo político cai dentro dos templos cai para 15%. Destes, 2% dizem seguir completamente, 5% parcialmente e 7% não seguir.

Quando observada a renda, é mais comum (23%) que fiéis de famílias que ganham até dois salários mínimos frequentem mais templos em que líderes religiosos tentem orientar politicamente os fiéis. Os que dizem seguir plenamente são 8%, parcialmente 8% e não seguem 7%.

Entrevistados com renda acima de dez salários, por sua vez, são menos impactados nesse campo: 10% dizem ouvir direcionamentos sobre o voto. Deles, 4% dizem seguir completamente, 4% parcialmente e 2% não seguem.

Do total de entrevistados, 51% se declararam católicos, enquanto 26% disseram ser evangélicos. O Datafolha não considerou outras religiões na análise, uma vez que a porcentagem desses segmentos na amostra era muito pequeno — adventista 2%, espírita/kardecista 2%, umbanda 1% e outras 5%. Os que não têm religião eram 12%. As perguntas só foram feitas àqueles que declararam ter alguma religião.

O Datafolha ouviu 2.556 pessoas com mais de 16 anos em 181 cidades do país. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou menos.

Fonte: G1



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